quarta-feira, 3 de maio de 2017

QUE VERDADES SEJAM DITAS, NÃO PENSADAS


Ontem tive um sonho
de um filho metade filho
metade gato,
pois falava igual a mim
mas ronronava felinamente.

Ele me chamava pra dormir junto à ele
(igual filho pede à mãe
de madrugada
porque teve um pesadelo
ou porque quer um copo d'água)
pois eu estava me sentindo sozinha
segundo ele, e
sua cama era maior que um novelo.

Ele me dizia o seu nome
pois com tantos meses de nascido
eu não lembrava mais:
pra mim era filho,
pra ele era Breno,
pra minha mãe era nome nenhum
mas no cartório não tem registro algum.

Com sua cauda felina
ele rodopiou na cama sem parar
enquanto com minhas mãos frias
eu tentava o lençol arrumar.
Com suas patas felinas
pulou da janela sem pensar,
afinal, no gato há o instinto
de ver o infinito
e se atirar.

Hoje cheguei na conclusão
de que nunca amei ninguém
como amei aquele filho-gato.


É uma pena que ele tenha pulado da janela

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