Ontem tive
um sonho
de um filho
metade filho
metade
gato,
pois falava
igual a mim
mas
ronronava felinamente.
Ele me
chamava pra dormir junto à ele
(igual
filho pede à mãe
de
madrugada
porque teve
um pesadelo
ou porque
quer um copo d'água)
pois eu
estava me sentindo sozinha
segundo
ele, e
sua cama
era maior que um novelo.
Ele me
dizia o seu nome
pois com
tantos meses de nascido
eu não
lembrava mais:
pra mim era
filho,
pra ele era
Breno,
pra minha
mãe era nome nenhum
mas no cartório não tem registro algum.
mas no cartório não tem registro algum.
Com sua
cauda felina
ele
rodopiou na cama sem parar
enquanto
com minhas mãos frias
eu tentava
o lençol arrumar.
Com suas
patas felinas
pulou da
janela sem pensar,
afinal, no
gato há o instinto
de ver o
infinito
e se
atirar.
Hoje
cheguei na conclusão
de que
nunca amei ninguém
como amei
aquele filho-gato.
É uma pena
que ele tenha pulado da janela
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