Vontades metafísicas:
derreter
e virar um só;
explodir
em uma luz sem corpo
- pois para além do corpo só há paz
e para além de mim só há o outro -
verbos
que eu me fundem ao mundo.
"Será que eu poderia entrar?
Tô com vontade de conversar com alguém que não existe
e não te conhecer é o mais próximo que vou conseguir."
Você assentiu, em silêncio.
Às vezes tudo o que queremos
é alguém que nos entenda além das palavras;
alguém que converse em silêncio.
Lá estávamos: eu, você e
nós - o resto do mundo.
Assim, de instante em instante,
o eterno fez-se inteiro.
A vida, não importa o quanto vivemos,
sempre será a vida inteira.
Desde que ela morreu
eu a vejo em cada esquina
- a morte, não a menina.
"Você tá aqui, mas não consigo te ver.
Eu tô te sentindo, mas não consigo te ver."
A agonia era incorpórea.
Não consigo estar na realidade, pois ela me mata.
Amo a vida incondicionalmente, pois não a amo
- eu prefiro amores com condições.
Às vezes sou como Ofélia, em "Hamlet".
Ser ou não ser:
você nunca me disse o que.
"Sabe, eu gostaria que você fosse meu melhor amigo,
mas isso estragaria um pouco as coisas
porque o que eu mais gosto em você
é que eu não quero nada que é teu,
nem o amor.
De que vai adiantar o amor?"
sexta-feira, 25 de janeiro de 2019
sábado, 12 de janeiro de 2019
LÂMINAS
Se o lábio é vermelho como uma ferida
tudo que sai feriu, fere ou ferirá.
Não estou em carne viva
- estou carne e viva.
Não fui eu que inventei essa linguagem
que se permite ser tão sofrida.
Tive medo de abrir a boca e minhas dores falarem por mim.
Não adiantou tapá-la:
o grito ecoa aqui dentro.
(tenha respeito ao entrar e ver minhas entranhas. não é bonito, eu sei: está escuro, desorganizado e até um pouco fedido. faz tempo que não venho aqui. por favor, não repare a bagunça. não se assuste)
"Está tudo fechado, que horrível! Abra um pouco sua cabeça",
disseste abrindo as cortinas,
batendo os tapetes,
arrastando as cadeiras;
encanou um vento, levantou poeira
e eu não vi mais nada, míope de desespero.
O cômodo continuou sem nenhuma luz.
"Sabes o que mais gosto do escuro?
Não há cor, forma ou vazio
- tudo se preenche."
OS BARULHOS
AS LUZES
OS MOVIMENTOS
AS PALAVRAS
: era tudo muito brutal.
tu: EU TE AMO.
eu: cuidado.
Carreguei esse fato que é o amor,
pesado e imaterial.
"E eu sei lá o que fazer com isso?"
Tive que apagar tudo e todo o resto
para que, no silêncio que restasse,
eu o engolisse como um remédio:
em seco.
Desceu pela garganta,
fermentou no estômago,
serpenteou as curvas do intestino,
beijou cada lâmina que achou pelo caminho
(mas eram só palavras, não mudavam nada)
- Não beije minhas cicatrizes!
- Não ame minhas dores!
Acariciei meus mesmos músculos, já tão maltratados.
tudo que sai feriu, fere ou ferirá.
Não estou em carne viva
- estou carne e viva.
Não fui eu que inventei essa linguagem
que se permite ser tão sofrida.
Tive medo de abrir a boca e minhas dores falarem por mim.
Não adiantou tapá-la:
o grito ecoa aqui dentro.
(tenha respeito ao entrar e ver minhas entranhas. não é bonito, eu sei: está escuro, desorganizado e até um pouco fedido. faz tempo que não venho aqui. por favor, não repare a bagunça. não se assuste)
"Está tudo fechado, que horrível! Abra um pouco sua cabeça",
disseste abrindo as cortinas,
batendo os tapetes,
arrastando as cadeiras;
encanou um vento, levantou poeira
e eu não vi mais nada, míope de desespero.
O cômodo continuou sem nenhuma luz.
"Sabes o que mais gosto do escuro?
Não há cor, forma ou vazio
- tudo se preenche."
(se amas algo que sou, saibas que há momentos de completo nada - momentos em que mais preciso de amor e que menos serei amável. se não consegues ver nada que não goste em mim, então não me viste realmente. deves amar o jeito de ser pois isso não muda nem em minhas mortes: tudo é sempre demais, mas nunca o suficiente)
AS LUZES
OS MOVIMENTOS
AS PALAVRAS
: era tudo muito brutal.
tu: EU TE AMO.
eu: cuidado.
Carreguei esse fato que é o amor,
pesado e imaterial.
"E eu sei lá o que fazer com isso?"
Tive que apagar tudo e todo o resto
para que, no silêncio que restasse,
eu o engolisse como um remédio:
em seco.
Desceu pela garganta,
fermentou no estômago,
serpenteou as curvas do intestino,
beijou cada lâmina que achou pelo caminho
(mas eram só palavras, não mudavam nada)
- Não beije minhas cicatrizes!
- Não ame minhas dores!
Acariciei meus mesmos músculos, já tão maltratados.
quinta-feira, 3 de janeiro de 2019
CAOS
Eu nunca vi chegar
pois quando percebi, já havia.
Os melhores sentimentos são os desavisados:
se diluem no sangue como hormônios
e fazem crescer partes
que se reproduzem fazendo amor.
Os melhores são os inesperados:
tudo o que me aconteceu,
tudo o que te aconteceu
e todas as borboletas que bateram asas
em todos os lugares do mundo
gerando ondas que quebram na boca do meu estômago
agora
fazem sentido
quando faço amor contigo.
Os melhores são os desapressados:
o sorriso é disperso
em todos os olhos que se seguram,
em todos os dedos que se batem,
em todos os dentes que se cruzam
- como linhas tortas
(dizem que é Deus que as escreve,
mas foi você que desenhou no meu peito).
Dito e feito.
(2017)
pois quando percebi, já havia.
Os melhores sentimentos são os desavisados:
se diluem no sangue como hormônios
e fazem crescer partes
que se reproduzem fazendo amor.
Os melhores são os inesperados:
tudo o que me aconteceu,
tudo o que te aconteceu
e todas as borboletas que bateram asas
em todos os lugares do mundo
gerando ondas que quebram na boca do meu estômago
agora
fazem sentido
quando faço amor contigo.
Os melhores são os desapressados:
o sorriso é disperso
em todos os olhos que se seguram,
em todos os dedos que se batem,
em todos os dentes que se cruzam
- como linhas tortas
(dizem que é Deus que as escreve,
mas foi você que desenhou no meu peito).
Dito e feito.
(2017)
terça-feira, 11 de dezembro de 2018
"O ETERNO ME ASSUSTA, MAS O EFÊMERO ME APAVORA"
Você parecia perdido - ou talvez eu queria que estivesse, porque eu estou, e seria bom se ainda tivéssemos algo em comum. Por isso eu perguntei se estava tudo bem, porque eu sabia que não estava, mas não soube o que fazer quando você se escondeu atrás das suas pupilas, onde eu nunca consigo te achar. Às vezes mostramos mais do que pretendíamos em apenas um olhar, mas não percebemos porque os outros nunca estão muito a fim de ver.
Você perguntou como eu sabia e eu respondi: “sabendo”. Então respondeu que, se sabe-se por saber, então não se sabe de nada. Muito provavelmente você está certo, não sei direito, porque você sempre jogou com as palavras pra não ter que dizer. Mas não acredito que isso seja igual a estar tudo bem. Quando a luz era pouca e as pessoas passavam por nós sem perceber o fim, parecia que sim; agora, com a luz da cozinha piscando sobre o meu caderno, isso me angustia.
Gostaria que você pudesse voltar e me convencer de novo.
Você tem toda a culpa em suas mãos, para colocá-la onde quiser; vai colocar em mim, sem perceber que isso nunca te absolverá de nada. O amor continua presente mesmo após o abandono. Ela morreu e eu continuo a amá-la: porque com o nosso fim seria diferente?
- Isso morreu e está me matando.
Você não consegue se por no meu lugar, pois está se afundando nas verdades precisamente mentirosas que conta a si mesmo. Não percebe que transformei seu peito em um vazio horrendo porque alguém teria que fazer isso e agora ouço suas acusações como se fossem agulhas de acupuntura entrando em meu ouvido. E não adianta quantas vezes eu repita que quero te ver, tudo o que você consegue ver é a minha partida.
Se eu tivesse mais de uma vida, com certeza dedicaria uma inteira a você.
As coisas ruins sempre vão machucar e as boas sempre estarão carregadas de uma paz morna. Como algo morno queima meu esôfago tão intensamente? Às vezes é difícil de lembrar como era quando você não era apenas uma memória. Nós não cabemos em uma foto - nem em duas, nem em dez. Não há foto de você chorando no meio da rua; dos dias em que as horas não passavam; da dificuldade em permanecer junto. Não há nenhuma foto da saudade que tenho de ti.
Às vezes é difícil de lembrar como era sua unha arranhando delicadamente minha pele ou sua boca falando coisas horríveis - cada gesto carregava milhões de intenções não anunciadas, não realizadas; cada gesto desbravava o Novo Mundo que existia entre nós dois, cortava as flores pelas raízes. Há folhas de samambaias por todo o chão do meu apartamento. Nosso passado sempre dormiria junto de nós, precisaríamos de uma cama cada vez maior. Às vezes é difícil me explicar porque eu parti, mas de manhã tudo fica claro: eu não cabia mais naquele quarto.
Quando escolhi estar com você, não fazia ideia do vazio que a saudade deixa em nós. Às vezes me pergunto se escolheria ficar se soubesse. Vou te perder cada dia um pouco mais, durante toda a minha vida, mesmo quando não te conhecia. Todos os dias, quando eu acordar, terei escolhido ficar e terei escolhido partir.
Te amei porque você era real. Isso é o suficiente?
segunda-feira, 3 de dezembro de 2018
VENTO
Me perguntou como se não soubesses.
E como é que eu vou falar com você?
Tens um nome que parece um sussurro.
Às vezes o sensível expressa,
mas na falha dele, temos a boca.
Assobiei.
Desde quando somos o que somos?
Podemos mudar, mas sempre seremos nós -
nós nas pontas dos dedos.
Desde quando te amar fez parte de mim?
Desde quando mudar fez parte de mim?
Suspirei.
Como é perder um amor aos quinze anos?
Como é achar que alguém te pertence
indubitavelmente?
Tudo o que consigo achar é que
quanto mais o tempo passa
mais próximos estamos do fim.
Ah, se eu tivesse um desejo
que cresce da terra num dente-de-leão.
Assoprei.
Preciso dizer, mas cá estou:
insuportavelmente lúcida.
- Lúcia, eu...
reticências.
E como é que eu vou falar com você?
Tens um nome que parece um sussurro.
Às vezes o sensível expressa,
mas na falha dele, temos a boca.
Assobiei.
Desde quando somos o que somos?
Podemos mudar, mas sempre seremos nós -
nós nas pontas dos dedos.
Desde quando te amar fez parte de mim?
Desde quando mudar fez parte de mim?
Suspirei.
Como é perder um amor aos quinze anos?
Como é achar que alguém te pertence
indubitavelmente?
Tudo o que consigo achar é que
quanto mais o tempo passa
mais próximos estamos do fim.
Ah, se eu tivesse um desejo
que cresce da terra num dente-de-leão.
Assoprei.
Preciso dizer, mas cá estou:
insuportavelmente lúcida.
- Lúcia, eu...
reticências.
segunda-feira, 26 de novembro de 2018
ROMANCE DE 200 PÁGINAS E 20 ANOS
Eu perguntei o porquê
e ele falou do começo ao fim
- se Deus fosse me dizer alguma coisa
seria com a tua voz e,
apesar de eu necessitar de respostas,
sei que pode sempre ser silêncio -,
mas não adianta:
há coisas que só fazem sentido depois do fim.
Seria necessário uma vida inteira para compreendê-lo.
"Por que os livros se chamam romance
mesmo quando não tratam do amor?
Amor é igualdade, não semelhança;
é uma porta, não um espelho;
é ver, por um instante, algo além de si."
Olhar nos teus olhos pareceu algo muito íntimo
para ser feito na frente de nós mesmos.
O pé pisa o chão o dia inteiro
mas quando chega à noite, sente as cócegas.
À noite: um tempo indefinidamente inesgotável.
De dia, quando não te conhecia, me sentia sozinha,
mas à noite, quando vais embora, é pior ainda.
À noite: quando tudo está por acontecer.
Não vou pedir que faças nada
além de ser.
e ele falou do começo ao fim
- se Deus fosse me dizer alguma coisa
seria com a tua voz e,
apesar de eu necessitar de respostas,
sei que pode sempre ser silêncio -,
mas não adianta:
há coisas que só fazem sentido depois do fim.
Seria necessário uma vida inteira para compreendê-lo.
"Por que os livros se chamam romance
mesmo quando não tratam do amor?
Amor é igualdade, não semelhança;
é uma porta, não um espelho;
é ver, por um instante, algo além de si."
Olhar nos teus olhos pareceu algo muito íntimo
O pé pisa o chão o dia inteiro
mas quando chega à noite, sente as cócegas.
À noite: um tempo indefinidamente inesgotável.
De dia, quando não te conhecia, me sentia sozinha,
mas à noite, quando vais embora, é pior ainda.
À noite: quando tudo está por acontecer.
Não vou pedir que faças nada
além de ser.
terça-feira, 13 de novembro de 2018
ROTAÇÃO - DIÁLOGO
– Você já parou pra pensar que, nesse exato momento, o sol está se pondo e nascendo ao mesmo tempo em algum lugar do mundo?
– Que horas são?
– Duas e trinta e quatro.
– Nunca pensei nisso, mas é verdade. Onde você acha que está nascendo?
– Pelo horário, em alguma ilhazinha do Pacífico. Ou talvez no Vietnã... nunca aprendi direito essas coisas de fuso horário.
– E se pondo?
– Acho que no oeste dos Estados Unidos.
– Nossa... O mundo parece muito grande da sua janela. Principalmente pelas coisas que não estamos vendo.
– Sabe no que eu estou pensando?
– Calma, eu estou sentindo tudo.
– Você dormiu?
– Não.
– Posso falar?
– Agora pode.
– Tava pensando que o Vietnã é meio socialista e que mesmo assim eu tenho que pagar uma passagem de avião para chegar lá. Por que o mundo não simplesmente se divide metade capitalista e metade comunista? Aí as pessoas decidem se querem morar em um ou em outro.
– Acho que não é tão simples assim, o ser humano não consegue entrar em um acordo tão facilmente.
– É, eu sei. Mas não é justo que esse sistema decida quem tem o direito a ter direitos. Quem te o direito de viver. Eu li ontem essa frase: “será que existe vida antes da morte?”.
– O que você acha que é a morte?
– Nada.
– Uma vez eu ouvi dizer que era um silêncio mineral... Mas, e se for razão?
– Então será razão em um silêncio mineral.
– Espera: acho que consigo ouvir.
– Será que já nasceu o sol no Japão?
– Por que?
– Porque acho que lá tem uma menina falando a mesma coisa que você está me dizendo para a amiga dela. E elas estão pensando em nós.
terça-feira, 6 de novembro de 2018
QUE FAZER?
Foi inocência nossa achar
que eles desistiriam agora
ou em qualquer momento.
i n o c ê n c i a : um gosto amargo na boca.
Nosso fim não pode ser
explodir em ódio e rancor
como bombas de repressão.
d i s p e r s ã o : uma panela de pressão de desesperança.
Temos paus e pedras nas mãos
mas eles têm nossas vidas, então
o que faremos?
P o e s i a,
mas não só isso.
Deixar-se afetar pelas coisas belas,
não se trancar em sua raiva,
retirar o pino:
agora, estamos vivos
pelo acaso ou pelo destino
e devemos deixar nossos espíritos
l e v e s
pois são eles que vão para o céu na morte
e, a partir de hoje,
morreremos muito todo dia.
É por isso que faremos poesia:
porque eles não aguentam,
porque eles não entendem
como ainda podemos sorrir
depois de foderem tanto a gente.
É para isso que faremos poesia:
para nos trancarmos nesse mundo,
para ver as flores que nascem na calçada -
como a que Carlos viu, no meio da Guerra.
"É feia. Mas é uma flor".
Não pise em nossas flores.
que eles desistiriam agora
ou em qualquer momento.
i n o c ê n c i a : um gosto amargo na boca.
Nosso fim não pode ser
explodir em ódio e rancor
como bombas de repressão.
d i s p e r s ã o : uma panela de pressão de desesperança.
Temos paus e pedras nas mãos
mas eles têm nossas vidas, então
o que faremos?
P o e s i a,
mas não só isso.
Deixar-se afetar pelas coisas belas,
não se trancar em sua raiva,
retirar o pino:
agora, estamos vivos
pelo acaso ou pelo destino
e devemos deixar nossos espíritos
l e v e s
pois são eles que vão para o céu na morte
e, a partir de hoje,
morreremos muito todo dia.
É por isso que faremos poesia:
porque eles não aguentam,
porque eles não entendem
como ainda podemos sorrir
depois de foderem tanto a gente.
É para isso que faremos poesia:
para nos trancarmos nesse mundo,
para ver as flores que nascem na calçada -
como a que Carlos viu, no meio da Guerra.
"É feia. Mas é uma flor".
Não pise em nossas flores.
quarta-feira, 17 de outubro de 2018
EROS E CIVILIZAÇÃO
Acordei com a boca seca:
de tanto ranger os dentes
eles se transformaram em areia.
Me senti sozinha só com o sol na sala.
Com centralismo estomacal,
sumi da cabeça aos pés.
Minha dor é política:
a falta de prazer é a ferida
pois tudo o que toco vira ouro
ao invés de vida.
Eu me doo até ficar doída
e me chamam de doida e deprimida.
Carlos Drummond já dizia:
"doação ilimitada a uma completa ingratidão".
Às vezes falta um retorno:
o eterno retorno.
Como viverei num mundo onde não posso existir?
"Eu não posso resolver o mundo"
ouvi detrás do divã.
- Então talvez não resolveremos nada. -
suspirei.
- Às vezes falta um carinho.
segunda-feira, 8 de outubro de 2018
THANATOS E EROS
Olhei através da palma de minha mão
a pilha de vermelhos.
Quando uma cor passa a ser perigosa?
Ele tentou me convencer
de que a Terra não era o universo,
sem um centro e lados.
Não ouvi direito
pois estávamos em rotação universal:
afundados até as orelhas na desesperança da repetição histórica.
Respiramos fundo.
Por favor, respiremos fundo,
sentindo vividamente nossos pulmões
- é o primeiro passo para continuarmos
lutando.
Já não é mais uma rasa política:
é o amor contra a morte.
A partir de hoje, não faça mais sexo,
não pregue a inclusão,
não peça igualdade,
não exija direitos:
transformemos tudo isso em amor.
Amor,
um resto em tempos tão sombrios.
Eu tô cansada de morrer de medo.
a pilha de vermelhos.
Quando uma cor passa a ser perigosa?
Ele tentou me convencer
de que a Terra não era o universo,
sem um centro e lados.
Não ouvi direito
pois estávamos em rotação universal:
afundados até as orelhas na desesperança da repetição histórica.
Respiramos fundo.
Por favor, respiremos fundo,
sentindo vividamente nossos pulmões
- é o primeiro passo para continuarmos
lutando.
Já não é mais uma rasa política:
é o amor contra a morte.
A partir de hoje, não faça mais sexo,
não pregue a inclusão,
não peça igualdade,
não exija direitos:
transformemos tudo isso em amor.
Amor,
um resto em tempos tão sombrios.
Eu tô cansada de morrer de medo.
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